quinta-feira, 8 de novembro de 2012

CAPÍTULO 6- TORRE DE BABEL


Via as pessoas mirarem tanto  em suas vidas, tantos objetivos, ela já fora assim, esplêndida, brilhante e reluzia, as pessoas ficavam encantadas com a sua força, o seu ar altivo a sua incrível capacidade de se reerguer-se e recomeçar. Ela si viu como uma fênix, mas de tantas vezes que renasceu das cinzas acabou ficando presa a elas. Já não tinha mais volta e ela pensava incessantemente em mil maneiras e formas de dar um fim a tudo isso, mas tinha sua mãe e ela tinha que manter-se viva, porque só de estar viva já dava um sentido, uma alegria, para aquela mãe conseguia ama-la incondicionalmente apesar de todos os infindos pesares. E como pesava, e como doía, rever e revirar-se sobre o presente e o passado todas as manhãs, todos os dias.

Há um tanto tempo seus pulmões perdidos doíam  Ela catava contas pérfidas no escuro, cantarolando canções tristes e mentia para si mesma dizendo serem pérolas. Comia as cinzas de sua própria alma e as digeria em certezas mortas espalhando-se em partes putrefactas na escuridão da noite...

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

CAPÍTULO 5 - DAS REAÇÕES


Ela fumava tum tanto de tudo, as incertezas, os adeus, as despedidas e os finalmente. Vivendo meio a esmo, mas com muita, muita fumaça, vendo no presente e fumando, o que quer que fosse preciso sem se importar muito com os seus pulmões. Odiava essa falsa hipocrisia. "Vamos todos ser felizes e fingir que está tudo bem." Não era bem assim que as coisas funcionavam, não para ela.

Não trazia respostas, não trazia certezas. Abria portas, fechava portas, janelas, cortinas, livros e adereços... Virava as costas, ia embora, guardando tudo em gavetas hermeticamente fechadas, com um tanto de vácuo para impedir que a sujeira mental e física saísse. E jogava as chaves fora, para um depois, bem depois, tentar abrir. Sem as chaves? Que ironia!

CAPÍTULO 4 - DA INFÂNCIA


Recordações doídas permeavam a memória volvendo-se e revirando as latas de lixo do presente. Ela lembrava daquela criança que se sentia tão sozinha, porque sozinha ela estava. E enquanto o mundo e as paredes da casa desmoronavam ao seu redor, ela sentava-se encolhendo-se no quarto, abraçada aos joelhos, rezando, implorando para Deus para fazer a dor passar e todas as coisas ruins irem embora. Talvez tenha sido nesse momento que desenvolvera sua fé e esperança.

Sabe, tem alguns momentos da vida, aonde o caos é tão grande que só existem duas opções, tentar ou desistir. E ela tinha coisas tão boas em seu coração, mas se sentia sufocada com o breu que se mostrava la fora. E ela queria tanto que as pessoas a escutassem, mas a vontade dela nunca era ouvida.

Ela achou prazeres em coisas licitas, e foi fazendo um suicídio lento, abrindo sua pele em estrias, estourando o estômago em azias...

CAPÍTULO 3 - DOS AMORES



Era estranho porque ela parecia ter uma ligação confusa e intensa com o amor, esperava dos homens algo aparentemente elevado, que poucos poderiam lhe dar, mas no fundo, parecia que buscava fora o que tanto queria dentro... 

Era isso, ela buscava essa tal fusão que só mesmo em sua mente seria possível. tantas foram as decepções, ano após ano.. 

Ela amou, e amou aquele amor dos artistas, entregue, flamenco, dançante, apaixonado, aquele amor que joga para cima, que joga para baixo. Que exausta os sentidos, que mexe dentro, que leva-nos a loucura. 

E ela pedia para que eles entrassem nela, sem pudores, pelo seu ventre, entrelaçado a suas mãos. Pedia para que eles a enxergassem, e vissem como ela mudava junto das fases da lua. Crescendo nas cores, cheia de amor, e minguando suada, ou ainda especialmente negra, abarrotada de mistérios... 

CAPÍTULO II - E ELA IA...




Já há tanto tempo que ela ia com o vento e com ele aprendia, apreendendo nuances entre os grãos de areia da praia e pedras lapidadas dos vasos reclusos de seus trabalho lá área dos fumantes. Dançando com o limbo, sorrindo para a dor, era tanta coisa aturada e pseudo deglutida naqueles meses infernais em que vivia. 

Tantos amores foram com o tempo, aquele verdadeiro, ela tentou guardar para que sagrado, nunca mais o esquecesse. Contudo suas próprias falhas o corromperam, e ele se foi, junto com todas as outras coisas... 

Era amiga da chuva, rios inteiros compunham seu corpo, águas que podiam mudar conforme as calmarias, conforme as tempestades... 

Não tinha certezas, verdade mostravam-se completamente relativas a essa altura da vida, e isso a confundia e angustiava por de mais. Sabe aquela sensação de se estar flutuando no abismo com uma nuvem prestes a se desfazer e lhe soltar... Ela puxava o ar, mas ali, aonde estava, era denso de mais, e ela mal conseguia respirar.

CAPÍTULO 1 - AS MADRUGADAS, PARTE 2



Depois de um certo tempo teve quem andou perguntando a ela quem ela era, e do que gostava, e de como gostava e como se sentia. E quando ouvia essas perguntas ela ria por dentro. “Como explicar uma infinidades de pedacinhos de vidros que a cada fração de segundo se combinam e recombinam?” Ela mesma já havia desistido de definir-se e entender-se. Quanto mais explicar-se a pessoas alheias...

Só sabia de suas coisas: Antes vivia, agora andava meio que sobrevivendo...

Tantas eram as verdades sobre ela refletidas em espelhos d’água, esvoaçadas em ventos uivantes, marcadas nos vincos das folhas de papel, e ainda nas folhas de seus jardins e plantas de vasos e canteiros. Como definir-se? Como? Talvez ela mesma não consiga reconhece-se às vezes, ou sempre... As multiplicidades implícitas nela, seguindo esbarrando em tantos “eus”, brincando de vida, rindo para o mundo, e rasgando-se, arranhando-se por dentro.

CAPÍTULO 1 - AS MADRUGADAS, PARTE I



Ela chorava o choro das madrugadas infindáveis e intermináveis as quais rolava sobre sua cama tentando encontrar respostas... Todas já haviam ido embora, e seus pensamentos já confusos, triturados e reverberados sob inúmeras histórias começadas não a ajudavam em nada...

Possuía tantas identidades quanto as estrelas dos céus a se revelarem, a medida que a olhávamos, fixando os olhos, segundo a segundo. Aparecendo e surgindo aos montes, mais e mais. E ao contrário das estrelas, sentia-se sem brilho, ofuscada por lembranças de terras distantes as quais já havia iluminado e caminhado em tantos tempos distantes e longínquos...

Ela estava cansada e ás vezes cogitava que a morte ou ainda o renascimento seriam sem dúvida a melhor de todas as opções. E quando se descrevia, escondia, dentro de si mesma aquilo que não podia enfrentar.